miércoles, mayo 31, 2006

"Amar é saber esperar"


Amo a Laura, pero esperaré hasta el matrimonio”, é o refrão de uma música que está na boca dos jovens aqui na Espanha. Interpretada pelo grupo Happiness e promovida pela “Asociación Nuevo Renacer: por una juventud sin mácula” , ela está em um curioso vídeo-clipe em que dois rapazes e duas moças, vestidos com roupas um tanto démodé e prá lá de pudicas, cantam a virgindade. Bom, pelo menos foi assim que a música se apresentou ao público espanhol, através da MTV

Depois de gerar muita polêmica e de percorrer a web, deu-se a conhecer o real intuito do inusitado vídeo: tudo não passava de uma campanha de marketing viral, via Internet, promovida pela MTV. O negócio fez tanto sucesso que o anúncio foi premiado no XXI Festival Publicitario Iberoamericano, como melhor campanha integral e, é claro, já está na lista dos ringtones mais vendidos por aqui :-)!

No mais, divirtam-se com o vídeo! A coreografia é super fácil de decorar e vc pode lançar mão dela numa festa quando já estiver esgotado o seu repertório de ritmos de baile.

martes, mayo 30, 2006

"São turistas assim como você e o seu vizinho"


Hoje, assistia à TV, quando o Zapatero começou seu debate sobre o estado da Nação Espanhola (estado com "e", mesmo não "E"). Dentre os vários pontos abordados em sua fala, o que mais chamou minha atenção foi o tema da imigração. Desde que cheguei aqui, esse assunto tem sido recorrente na imprensa espanhola, primeiramente, pelo fato de que as Ilhas Canárias receberam, neste ano, milhares de imigrantes vindos da África em pateras. Segundo, porque teve início uma onda de seqüestros-relâmpagos em Madrid e estes foram qualificados pela imprensa local como um tipo de roubo realizado na América do Sul (e, para confirmar, alguns dos bandidos presos eram imigrantes latino americanos.).

Dessa forma, o tema da imigração está na ordem do dia, suscita mesas de discussões, palestras, que nos permitem perceber a diversidade de opiniões que o tema abarca. Algumas pessoas, dentre elas membros do Partido Popular (oposição ao socialista), exigem do governo medidas drásticas e vinculam a imigração à violência que cresce no país. Outros, abordam a questão pelo viés dos Direitos Humanos e de que a força de trabalho dos imigrante é que permitiu à Espanha “crescer” nos últimos anos.

Para além de tudo isso, ser estrangeiro é algo que se sente e se vivencia no dia a dia... pelas manifestações amistosas, hostis, estereotipadas que recebemos daqueles que nos percebem como “de fora”. Sendo assim, fico hoje com a fala do primeiro ministro que, em seu discurso, lembrou aos espanhóis a sua condição de migrantes, lá nos tempos de Colombo, quando também saíram em busca de uma vida melhor em um outro lugar.
Foto: Perdida nas ruas de Toledo, tentando achar um rumo...

jueves, mayo 25, 2006

Efeito primavera-verão


A primavera já chegou por aqui há algum tempo e as altas temperaturas tb. Em Madrid, ¡hace mucho calor! Nesses últimos dias, tivemos uma folga, mas, na semana passada, os termômetros aqui chegaram a marcar 35 graus, uma prévia do que promete ser o verão.

Essa onda de calor não só fez alguns turistas dos países nórdicos vestirem suas roupas de banho para pegar um bronzeado nos parques, como tb fez as oliveiras, junto com as gramíneas, espalharem pólen pela cidade. Dizem que, nessa época, era a vez só das gramíneas, mas o calor intenso fez acordar los olivos antes da hora. Resultado: muuuuuuuita alergia e comunicados sobre os níveis de pólen junto com as notícias sobre o tempo.

Mas nem só de alergia vive a primavera em Madrid: os parques estão lindos, todos floridos, perfumando a cidade inteira. Pelos caminhos por onde passo existem vários jardins repletos de roseiras, cada uma mais linda que a outra. Tão bonitas que dedico todas elas a minha querida irmã que se casa amanhã. Felicidades Loli!
Foto: Flores da Roselda, Parque do Retiro

martes, mayo 23, 2006

El Rastro Flamenco.


Para aqueles que acompanharam o dilema Flamenco X Pilates, informo-lhes que o Flamenco venceu! Quinta-feira passada, lá fui eu para minha primeira aulinha. Saí bem antes do horário da aula para comprar mis zapatos flamencos. A escola se chama “El Horno Centro de Ócio” e lá existem várias outras modalidades de dança e muitos brasileiros dando aulas (fiquei morrendo vontade de ver a aula de axé)

Sapatos comprados, lá vamos nós. Entrei na sala, a profe era brasileña, uma fofa, super simpática. Localizei-me em um cantinho de segurança da sala (aquele em que vc não fica muito exposto para pagar mico, tem uma boa aluna à frente para colar e está no campo de visão da professora para ser corrigida) e comecei tá tiki tá tá tá... tá tiki tá tá tá?! Cadê o 5, 6, 7, 8?! Gente, a primeira aula foi um desastre...

Não conseguia entrar no ritmo, acompanhar o guitarrista (sim, as aulas são com guitarra flamenca ao vivo!), bater as palmas. Saí desolada, sentindo-me um desengonço só.
Mas, pensei, quem sabe é porque ainda não comprei a saia e tal... fiz o Rafa andar vários quarteirões no sol comigo pra comprar a bendita saia. Fui pra segunda aula, com saia e tudo mais e já foi um pouco melhor... não por causa da saia, mas é que agora me deixo levar pela música, faço caras e bocas, os pés todos errados, mas faço o maior tipo. Afinal, como já dizia Jorge Maravilha*, quem dança é mais feliz!

*Jorge Maravilha não disse nada disso, foi só pra rimar.

domingo, mayo 21, 2006

Um mês na cidade


Hoje, dia 21, faz um mês que cheguei em Madrid.
Depois de milhares de despedidas, de vai ou não vai, de atrasos e contra-tempos: cheguei.
Lembro que, no primeiro dia na cidade, estava meio zonza depois da viagem longa e da espera no aeroporto do Rio de Janeiro e de Lisboa.
Quando vi o Rafael, que já estava aqui há uma semana, no aeroporto de Barajas, quase morri de tanta alegria! Era verdade: estávamos juntos nessa aventura tão esperada.

Nesse um mês em Madrid, o que mais fiz foi caminhar... conhecer gente e lugares. Apesar da cidade ter seu jeito madrileño de ser, ela é marcada pela diversidade de povos que nela habita. O som que vem das ruas é uma mescla de sotaques, de falas que se misturam ao español de España e que também não é de toda España, haja vista o valenciano, o catalão, o euskerra...
Gosto de me misturar a essa multidão e me sentir parte dela. De vez em quando, algum turista me pára para pedir informações: “Lo siento, no soy de aquí”, insisto em dizer. Mas a cidade me acolhe e eu me deixo receber por ela. Como diz uma propagando do governo: “Comunidade de Madrid: La suma de todos”, incluso yo!
Foto: Puerta de Alcalá