Ajeno al mundo, ou a tal presença-ausente

O iPod, primo evoluído do walkman, é hoje artigo que compõe a cena urbana tecnológica, ocupando lugar de prestígio junto a outros inventos da era da mobilidade, como o celular. Nas ruas de Madrid as pessoas caminham embaladas pela sua trilha sonora favorita.
Adolescentes, jovens, homens de negócios, todos levam pendurados seus tocadores Mp3. O som típico da cidade, como as buzinas dos carros, as sirenes das ambulâncias, os apitos dos guardas de trânsito, foi subsumido pela música de fundo que vem desses aparatos. É como se caminhássemos dentro de uma bolha, rodando um vídeo-clipe a medida em que cruzamos as ruas, entramos no metrô, move-nos pela cidade.
Às vezes, fica até difícil pedir uma informação ou até mesmo ser informado sobre o que se passa ao nosso redor. Dia desses, estava no ônibus e não percebi que o motorista informava a todos os passageiros que entravam que o trajeto, neste horário, seria reduzido. Resultado: além de pagar o maior mico ficando sentada dentro do ônibus quando TODOS os outros passageiros já haviam descido, tive que andar um bocado até chegar em casa.
Foto: Nina (minha prima que veio pra Madrid estudar espanhol) e eu em El Escorial


2 Comments:
Camila, ao ver esta sua foto no blog me veio à cabeça a imagem de um filme... não me pergunte qual porque venho pensando obsedantemente e não encontro... alguma coisa non sense, algum filme cabeça, algo certamente roteirizado tão bem quanto seus textos! Beijo. Lucas
Lucas, pensando bem, acho que é do filme "Memórias de um mente sem lembranças". Lembro-me que ele fica meio azulado em alguns momentos. :-)
A semiótica explica!
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