martes, junio 27, 2006

O dia em que o Toque de Bola virou Tiqui Taca


Foi uma verdadeira saga conseguir instalar uma antena aqui em casa para assistir a todos os jogos da Copa. La Sexta é um canal aqui da Espanha que é aberto, pero no mucho. Para poder ter acesso à sua programação é preciso estar em área de cobertura e instalar uma antena especial. Enviamos vários e-mails solicitando a tal antena e nada... Foi, então, que o Rafa, cansado de assistir aos jogos em bares com torcida contra, decidiu comprar uma antena que capta sinais da TV digital terrestre. Bingo: O mundial está, enfim, na nossa casa!

A campanha aqui pela seleção Espanhola é fortíssima. Toda a imprensa entra no coro da torcida e só sabe tecer elogios à equipe roja. E entendam o tecer elogios como “secar” totalmente o Brasil. Porém, há um personagem neste mundial que merece destaque, seu nome é Andrés Montes e ele é o narrador dos principais jogos transmitidos pela Sexta. O homem é um show a parte nos partidos de fútbol. Sua voz lembra a do narrador brasileiro Sílvio Luis e seus bordões são impagáveis. Por exemplo, Raul não é Raul e sim Tom Cruise e Xavi é Humphrey Bogart! Sem contar o “Tiburón” (Puyol)! O toque de bola, o jogo bonito é o tiqui taca. ¡Vamos, vamos con el tiqui taca!”, diz Montes para seus outros dois companheiros de jogos, que ficam ao seu lado, espremidos na arquibancada. Juntos eles formam um trio de narração, que se reveza durante a partida. Por essas e outras já ficamos fãs de Montes, como ele acreditamos que “el fútbol es una pasión de multitudes e que la vida puede ser maravillosa!*”

* Sim, sim, Ivan Lins já disse isso e o próprio Montes reconheceu dia desses em uma das muitas partidas que narrou.

Foto: O próprio!

domingo, junio 18, 2006

Ugly Naked Guy



Falando ao telefone, comendo um salgadinho, tomando cerveja, ou apenas contemplando a vista, lá está ele, nosso vizinho da frente. A janela do nosso “apertamento” fica bem no rumo da janelinha do dele e aí é preciso tomar um certo cuidado pra que pequenas coisas do dia a dia não sejam flagradas pelo olhos curiosos da vizinhança.

Acontece que nosso vecino parece não ligar muito para o conceito burguês de privacidade, além de compartilhar conosco suas conversas ao telefone (ainda não descobrimos se ele fala francês ou alemão – hahaha), fica andando pelo apê sem blusa (até onde conseguimos ver), ou então senta na janela e deixa todo o cofrinho à mostra (anémmm).

Agora, eu e o Rafa temos o nosso próprio Ugly Naked Guy*.

*Pra quem não conhece, Ugly Naked Guy é um personagem da série Friends, vizinho de frente do apartamento de Mônica e Rachel, que anda pela casa pelado :-).
Foto: Janela com e sem Ugly Naked Guy

miércoles, junio 14, 2006

Tradición y Vanguardia



Quando era menina, lá pelos 6 anos, tinha uma amiga, a Júlia, que, em sua casa, tinha um enorme quadro que sempre me chamava atenção. Em tons cinza, negro e branco o quadro apresentava formas desformes... um touro, uma mulher, um cavalo... e uma luminária bem no meio, e era assinado por um tal de Picasso.

Bom, esse tal quadro, esquisito e feio (do ponto de vista dos 6 anos de idade), era Guernica. Lembro que perguntei a ela, “quem é Picasso?” E ela me respondeu, “ah, um pintor famoso que meu pai gosta muito”. Dei-me por satisfeita.

Nesse domingo, exatos 20 anos depois, reencontrei-me com Guernica na belíssima exposição organizada em Madrid, nos museus Reina Sofía e Prado, em comemoração aos 25 anos da chegada do dito quadro à Espanha.

O Reina Sofia, além de exibir Guernica, expõe também os estudos realizados pelo pintor antes de conceber sua obra prima. Impossível descrever, tinha vontade de dançar a cada quadro que observava, única forma com que achei possível dialogar com essas pinturas.

Depois, fomos para o Museu do Prado, lá foram colocados os quadros de Picasso junto a obras de outros grandes pintores que lhe serviram de inspiração. E aí o encantamento foi o mesmo, maior ainda talvez por poder reconstruir com a imaginação os caminhos percorridos entre as meninas de Velázquez e as de Picasso. Perceber como uma mesma realidade toca de diferentes maneiras a cada um, gerando respostas únicas e, nesse caso, geniais.

¡Gracias!

¡Qué pasó bigotón!



Nesse final de semana, recebemos a visita de um amigo argentino, Genaro, que veio passar três dias em Madrid. No sábado, fomos todos para um barzinho aqui perto assistir ao jogo Argentina X Costa do Marfim: eu, Rafa, Genaro, seu primo Gian e sua tia Silvina.

Pelota vai, pelota vem, e a seleção Argentina se deu bem! Estávamos todos felizes e contentes, depois de algunas cañas y algunos tapas, prontos para irmos para casa, quando surge um mexicano muito louco na nossa mesa.

O muchacho falava tão, mas tão alto que todo o bar começou a ficar incomodado com a nossa mesa e o garçom vinha toda hora solicitar que o rapaz falasse um pelin mais baixo.

Eu e o Rafa estávamos um pouco apreensivos com a situação, pois gostamos do bar em questão (já até fizemos amizade com o garçom) e não queríamos que esta fosse nossa última noite lá. Ainda mais em tempos de copa do mundo, longe do Brasil e sem acesso a todos os jogos da copa pelo canal aberto da España.

A solução seria pedir logo la cuenta para assim irmos embora. Bom, pedimos a dolorosa e quando o garçom pousa o papelzinho em nossa mesa nosso convidado saca seu American Express Gold e PAGA NOSSA CONTA! Ficamos os cinco sem entender aquilo... eu e a Silvina queríamos protestar, mas os rapazes não deixaram. Porém, o que parecia ser bom virou um pesadelo, o mexicano, na verdade, havia comprado nossa atenção!!! Ele não deixava a gente ir embora!!!! AHHHHHHHHHH!

Totalmente borracho ficava repetindo a narração de um gol de não sei quem e, a cada frase, emendava um ¡qué pasó bigotón! (numa tradução bem tosca: Que isso bigodudo!).

Depois de 30 minutos de mais pura tensão eu já estava pra lá de zonza...Disse ao Rafa, vou embora agora, e ele, eu também. Trocamos olhares com nossos hermanos argentinos, miramos a saída e fomos... Nãoooooo, a porta estava trancada... Garçom, pelamordedeus, abre isso logo!!!! Veio o garçom que é tipo o xerife do estabelecimento abrir as portas, nesse meio tempo, bigotón, alcança a porta. Foi a conta, o xerife abriu, nós saímos e bigotón ficou pra trás...

Bom, e agora, o que vamos fazer? – perguntou o Rafa todo empolgado.

Bueno, vamos a otro bar. Ya que el mexicano ha pagado nuestra cuenta, la noche empieza ahora! – respondeu Genaro.

E lá fomos nós, a mais pura movida madrileña, em pleno sábado, no bairro de Chueca!

Foto: O de blusa rosa é o mexicano! Do lado dele está o Gian, depois Genaro, Silvina, amiga do mexicano, eu e o Rafa.

domingo, junio 04, 2006

À Beira de um Ataque de Nervos

Até o dia 11 de junho, acontece em Madrid a Feria del Libro, no parque do Retiro, com mais de 300 expositores. Ontem, eu e o Rafa decidimos dar um passeio por lá e eis que avistamos uma fila enorme que se dirigia à Banca de número 51. Nela, viam-se pendurados diversos livros sobre filmes, diretores e roteiros. E, como não podia deixar de ser, os roteiros dos 3 últimos filmes do diretor espanhol, Pedro Almodóvar, estavam em destaque: Volver, La mala educación e Hable con Ella.

Rafael: Será que o Pedro Almodóvar está aí? – perguntou.

Camila: Claro que não... Imagina só, Pedro Almodóvar no parque do retiro – dá um riso debochado.

Rafael: Sei não, hein...

Camila: Nada, vamos andar.

E, lá fomos nós, em busca de um livro didático de Português. Ao voltar pelo mesmo caminho, vimos que a fila continuava lá, só que agora o movimento de pessoas com o roteiro de Volver nas mãos, empurrando-se para chegar próximo à banca, havia se acentuado.

Rafael: Não disse! – aproveitando-se dos seus 1,88m para ver além da multidão – É o Pedro Almodóvar!

Camila: O quê? Não pode ser! Eu também quero chegar perto dele, quero um roteiro autografado!!!

Rafael: Ué, tem que entrar na fila.

Camila: Eu fico, não tem problema!

E lá ficamos nós...

Depois de 30 minutos de espera, estávamos eu e o Rafa, os primeiros da fila. Ali na frente, Pedro Almodóvar, com seus cabelos brancos e seu sorriso simpático. Eu, já tinha ensaiado várias frases para dizer a ele, estava com a escolhida na ponta da língua! E, chega a nossa vez.

Pedro: Hola! ¿Como te llamas?

Camila: Camila.

Pedro: Solo Camila o tiene dos L o K.

Camila: No, Camila, sencillo mismo.

Pedro: Bueno. – e escreve no meu livro: Camila, te deseo lo mejor. P. Almodóvar.

Camila: No imaginaba que iba salir de Brasil, venir a Madrid y encontrar Pedro Almodóvar. ¡Gracias! (a frase feita que estava na ponta da língua)

Pedro sorri e pergunta: ¿Estás aquí de vacaciones?

Camila: No, vamos vivir aquí por 6 meses.

Pedro sorri novamente.

Camila: Antes de venir, yo fui en un videoclub y recogí todas sus películas que tenían Madrid como escenario. La imagen que tenía de la ciudad era la de sus películas.

Pedro sorri mais ainda…

Rafael: Ah, yo soy el marido de Camila, mucho gusto.

Pedro: Mucho gusto…

Rafael: ¿Puedes escribir en este papel para mí?

Pedro: Sí, claro.

E eis que Almodóvar escreve a seguinte frase para o Rafa:

Para Rafael: Una felicidad interminable. Pedro Almodóvar…

Rafael e Camila: Gracias, ¡Hasta Luego!

Pedro: ¡Hasta Luego!

Camila: Rafael, não acredito, conheci Pedro Almodóvar! Ele é uma comunidade minha no orkut! Agora, só falta o Umberto Eco!

Rafael sorri seu amável sorriso de marido paciente.

Nesse momento, começamos a ouvir uma música muy delicada que antecede os títulos dos créditos.

Fin.

Primero Empleo

Demorou, mas apareceu! Sou a mais nova professora de Português do Reino de Castilla y Leon! Vou dar aulas em uma escola de idiomas que fica no bairro Ciudad Lineal.

Por enquanto, só tenho dois alunos que querem fazer um curso intensivo de Português do Brasil porque vão se mudar para nosso país daqui a alguns meses. A primeira aula será na segunda-feira e hoje, domingo, estou aqui me descabelando para organizar o material didático, pois não é fácil (digo quase impossível) encontrar material didático de "Brasileiro". Só nossos amigos purrrtuguêses é que publicam e aí já viu, né: “Senhor, por favor, onde está a bica?”, não vai dar.