La Noche Blanca
Sábado passado Madrid celebrou sua primeira Noche Blanca. O evento, que começou no anoitecer no dia 23 e foi até o amanhecer do dia 24, integra com outras quatro capitais européias (Paris, Roma, Bruxelas e Riga) uma iniciativa que tem por objetivo “elevar o espírito”, através do redescobrimento da cidade, sua cultura e história. Ruas, praças, jardins, museus, galerias, teatros, livrarias e outros tantos espaços foram cenário de um acontecimento, até então, inédito na cidade.Para nós (Rafa e eu), foi a oportunidade perfeita para despedir da cidade, afinal, esta é nossa última semana em Madrid.
Saímos para a rua e nos deixamos levar pela
movida da cidade. Jovens, crianças, velhos, adultos, todos queriam participar. Sua presença fazia parte do jogo artístico num movimento duplo: criadores que buscavam estímulo, público que queria se deixar estimular pela criação. Foi lindo, mágico, especial! Através das diversas manifestações culturais, re-visitamos Madrid sob uma nova perspectiva. Fato que agora só dificulta o tal dizer “adeus!” Bom, talvez o abrandemos com um “
¡Hasta luego!”
Foto1: Calle Fuencarral com apresentações de DJ's
Foto2: Rafa na Plaza de las Cibeles

Sau au au au dade

Belo Horizonte, 8 de setembro de 2006
Papai e mamãe,
Estou usando o email do tio Lucas para mandar notícias e umas fotos minhas.
Estou com muitas saudades de vocês.
O tio Lucas me dá muitas notícias suas e fica aqui me consolando quando bate uma tristeza profunda.
Hoje ele me levou para tomar banho e colocar gravatinha nova; estou cheiroso que só vendo!
A casa aqui do tio é muito legal; ele trouxe e minha casinha, com o meu nome escrito, e ainda colocou uma almofada lá dentro pra eu dormir num lugar mais macio.
A comida está boa, mas o tio fica muito preocupado com o meu peso (por causa de você papai) e de vez em quando põe muito pouco na cumbuquinha. Água tem à vontade, às vezes até com gelinho igual eu gosto.
Titio comprou muitos biscoitinhos pra me agradar; no dia do meu aniversário ganhei até pizza!
Estou passeando muito e, olhem só, sem coleira; vou fazendo xixi nas árvores até a rua de trás e aí o tio me deixa ficar andando e fuçando em tudo um tempão, livre e solto; essa parte está sendo das melhores.
A única coisa que eu ainda não entendi aqui na casa do tio Lucas é que tem uns dias que ele sai e demooooora a voltar; se eu estou do lado de dentro da porta de vidro, acabo fazendo cocô e xixi por ali mesmo; teve um dia que eu fiz xixi nas duas cortinas do tio, porque sabia que tinha que proteger a casa quando ele não estivesse aqui; só que ele chegou e brigou muito comigo... não entendi nada!!
Então tá bom; acho que falei tudo o que estava com vontade.
Uma lambidinha em vocês dois.
Fidel
Madrid, 22 de setembro de 2006
Fidelzinho querido, Eu e papai ficamos muito felizes em receber notícias suas! (Desculpa a demora em lhe responder...) É bom saber que as coisas estão indo bem por aí e que você não está mais tão rebelde, dando trabalho pro Tio Lucas!
Não teve um dia sequer que o seu pai não se lembrou de você. Sabe aqueles assobios estridentes que ele solta e você vem correndo pra pular nele?! Pois é, soltava uns por aqui... mas a única coisa que ele obtinha em resposta era um beliscão meu.
Quando a gente passeava pelas ruas e ele via um cachorrinho igual a você, tentava puxar conversa, porém, os donos não gostavam muito e já faziam sinal pro bichinho voltar pra perto deles. Hoje, perguntei-lhe do que mais sentia falta aqui em Madrid. Ele respirou fundo e respondeu: Fidel!
Bom, não sei se o Tio Lucas já falou pra você, mas em breve chegaremos aí. Confesso que estou um pouco preocupada pelo seu pai. É que ele espera tanto uma reação de super saudade sua que se você não o receber assim, vai partir o coração dele. Se a gente chegar aí e você não der a mínima, juro que entenderei. De um dia para o outro você ficou sem pai, mãe e Vanuza, mas, em compensação, ganhou um super Tio!
Por isso, peço-lhe para que não banque o difícil e receba seu pai com toda aquela festa que você sabe fazer melhor que ninguém, com direito a piruetas, latidos estridentes e lambidas. Prometo que você poderá visitar o Tio Lucas sempre!
Uma fungadinha em você.
Mamãe.
Guestbook

Nestes quase seis meses aqui na Espanha, recebemos a visita de muita gente. Alguns ficaram aqui em casa, outros, de passagem pela capital espanhola, acompanharam-nos em passeios pela cidade. Os primeiros que vieram aqui foram Marcelo e Adriana lá de Sete Lagoas. Quando eles nos visitaram, o piano de Andi (músico argentino que sublocou o “apertamento” pra gente) ainda estava aqui e o calor já dava os primeiros sinais. Logo depois deles, veio o Genaro, amigo do Rafa e também argentino. 
Com ele, seu primo Gian e sua tia Silvina, visitamos pela primeira vez a exposição do Picasso!
Na primeira semana se julho, chegou a Marina, minha prima lá de BH, com quem morei por 7 anos! Nina veio ficar um mês com a gente para estudar espanhol e também se divertir, é claro! Quando ela chegou, o piano já tinha ido embora, liberando um bom espaço. Passeamos bastante nos dias quentes de verão. Houve até um fim de semana em que visitamos 3 museus em um só dia e juntos, eu, ela e Rafa, fomos assistir a uma ¡corrida de toros por primera vez! Para fechar com chave de ouro a estadia da Marina, fugimos do calor de Madrid e fomos pegar uma prainha em San Sebastián, no País Vasco! Viagem boa quatro cruzes!!!
Agora, no início de setembro, recebemos um monte de visitas ilustres. A primeira a desembarcar foi a Daniela, minha amiga querida dos tempos da faculdade e que mora há 2 anos em Paris. Foi nossa chance de retribuir a hospitalidade dela quando nos recebeu ano passado.
Fizemos piquenique no parque do Retiro e tomamos sol na beira do estanque! Quando a Dani ainda estava aqui, chegaram Evandro e Irenilza! Foi ótimo! Colocamos os assuntos de família em dia e experimentamos aquela sensação boa de estar em casa! Ah, teve também a visita da Flavinha (prima do Rafa) e do André. A gente se encontrou um dia antes deles irem embora. Foi a maior coincidência! Já havíamos combinado de nos ver na segunda-feira à noite e, antes de os encontrar, eu e o Rafa saímos para fazer compras. E não é que gente se esbarrou no supermercado! Parecendo coisas de BH Shopping.

Não podemos esquecer a vez em que fomos visita! Cláudia e Eduardo, primos de Viçosa, receberam-nos em Valência no feriado do mês de maio. Gostei tanto que voltei lá em junho. Valencia é linda e a companhia dos dois melhor ainda!
Mas além das visitas presenciais, tivemos muitas outras virtuais. Familiares e amigos sempre por perto, graças às tecnologias de informação e comunicação, que tornaram nosso mundo pequeno: Lucas, Fidel, Nena, Juju, Loli, Lili e Kil, Paulinho, Amarilis, Guilherme, Dalmo, Lalá, Angela, Cida, Tia Paula, Tio Peco, Tio Francisco, Maria Fernanda, Marco Antônio, Clarissa, Hélen, Marcelo, Grazi, Álvaro, Tony, Beto, Fabrício, Lucas Juvenil, Adelino, André, Flavinha, Bundinha, Jackie, Rosana, Ric, Sandrine, Juliana, Fabiana... ¡mucha gente! Agora, que já se aproxima o dia da partida, recordamos esses momentos especiais como uma forma de deter o passo do tempo. Citando o poeta e diplomata Vinicius de Moraes: A vida é mesmo a arte do encontro!
Foto 1: Adriana e Marcelo.
Foto 2: Rafa, Genaro e Gian.
Foto 3: Eu e a Nina.
Foto 4: Dani e eu.
Foto 5: Evandro e Irenilza.
Foto 6: Rafa, eu, André e Flavinha.
Foto 7: Rafa, Cláudia e Eduardo.
Ciao Italia! – Parte II

Para nossa visita a Roma, tínhamos um anfitrião muito especial. Era o Genaro, nosso amigo argentino. Rafa o conheceu quando viajou ao Peru e, desde então, falam-se com freqüência. Genaro está morando em Roma e combinamos de nos encontrar no segundo dia à noite para conhecer la bella notte romana. Para o dia, tínhamos em nosso roteiro a visita ao Coliseo, Foro Romano e Pantheon. Roma é uma cidade repleta de turistas: hordas vagam pelas ruas em busca de suas maravilhas eternas. Nós também éramos um deles.
Conhecer todos esses lugares foi magnífico! Caminhamos por entre páginas e páginas dos livros de história. Porém, confesso que gostei mais ainda da noite na cidade. Genaro nos encontrou no hotel e de lá fomos direto para a Piazza Navona. Outra visão, muito mais linda, muito menos cheia de turistas afobados.
De lá fomos em direção à Fontana de Trevi. Antes fizemos uma parada estratégica para comer uma deliciosa pizza al tallo e pegar umas cervejas. Nesse meio tempo, eu preparava o espírito para ver a Fontana à noite (havíamos estado lá durante o dia, lutando por um espacinho para fazer uma foto que não estivesse cheia de japoneses). Tinha a ilusão de, quem sabe, presenciar a cena de Anita Ekberg, na famosa seqüência de La Dolce Vita. Andamos alguns metros e lá estava ela, linda, iluminada, onírica. Deixamo-nos ficar. Conversamos, rimos, fizemos planos para o futuro, sonhamos. Não nos banhamos na fonte, mas saímos de lá de alma lavada!
Foto 1: Ave Cesar!
Foto 2: Rafa, eu e Genaro na Fontana de Trevi!
Ciao Italia! – Parte I

Na segunda semana de agosto eu e o Rafa fomos conhecer a Itália. No nosso roteiro estavam as cidades de Roma, Florença e Veneza. Pegamos o vôo bem cedinho e chegamos à Bela Roma. Depois de recolher nossa bagagem, saímos apressados para tomar o trem em direção à cidade e eis que somos barrados na alfândega. O policial nos lançou um breve olhar e mandou-nos para o canto. “Passaporte”, solicitou. Entregamos nossos documentos e ele, com os passaportes em mãos, pôs-se a autorizar a passagem das outras pessoas, parar uns gatos pingados e nos deixar lá de molho, sob os olhares desconfiados das outras pessoas que saiam sem nenhum impedimento. Depois de muito esperar - segundo o Rafa, a espera fazia parte da técnica de detenção de suspeitos - ele veio para o interrogatório.
PI (Policia Italiana): Brasileiros, ãn... – começou com o purtuguês de Purtugal – Vêm de onde?
Camila: Madrid.
PI: Há quanto tempo estão em Madrid?
Rafa: 4 meses. Estamos estudando.
PI: Estudando?!
Rafa: É. Veja o visto.
PI: E o que vieram fazer na Itália?
Camila: Passear - respondo.
PI: Têm reservas de Hotel? Posso ver?
Rafa: Sim. E mostra nossas reservas.
Depois de outra pausa para averiguar outras pessoas, ele retorna.
PI: São casados? E faz gesto buscando alianças nos dedos...
Camila e Rafa: Sim, somos. E mostramos nossas alianças.
PI: Quando casaram?
Camila: 5 de julho de 2003.
PI: Bom, abram as malas.
E lá vamos nós abrir nossa malinha sob olhares ainda mais desconfiados daqueles que passam...
PI: Tudo bem. Podem ir.
Finalmente somos liberados. Nossa senhora, que coisa mais chata. Mas, segundo o Rafa, tem que ser assim. Nesse mundo maluco, todos somos suspeitos! Fizemos check-in no hotel e corremos para o Vaticano. Tínhamos feito o roteiro de atividades diárias e a parada na alfândega tinha atrasado um pouco o esquema.
A fila do museu era imensa, mas até que caminhou rápido (apenas 15 minutinhos). Turistas, peregrinos, religiosos, tudo mundo ansioso por entrar. O museu do Vaticano é enorme (no mínimo umas 6h de visitação) e, por isso, nossa visita se limitava à Capela Sistina. Depois de muito andar pelos corredores do museu, chegamos ao mítico local. Lá estava a obra prima de Michelangelo, abarrotada de turistas! É de dar torcicolo: todos olhando para cima, a admirar uma das pinturas mais conhecidas e reproduzidas do mundo. A criação, que fica bem no meio, é, talvez, a mais hipnótica. Pode ser contemplada sob diversos ângulos, cada um escolhe o mais confortável. Somos despertados do transe pelos berros dos guardas: No photo!!! Nessas horas você não sabe quem é pior, o turista inconveniente que quer tirar uma foto, que no final vai ficar péssima e ele vai ter que comprar o postal, ou o guarda escandaloso. Ah, os dois são péssimos!

De lá fomos para a Basílica de São Pedro. As colunas que circundam a praça são impressionantes! Fomos logo para a fila. Estava um calor desumano... ao nos aproximarmos da entrada, vimos que algumas pessoas eram barradas. Todas tinham em comum blusas sem manga ou bermudas! Nesse momento, o Rafa já me lança um olhar de, “Você vai ser barrada!” Não deu outra. O segurança só fez assim com dedo, mandando-me para o banco de reservas. Ah, não... barrada de novo!!! No mesmo dia!!! Tive vontade de chorar! (Mistura de TPM, calor, medo de avião, segunda rejeição). A solução foi comprar um camiseta souvenir e usá-la para cobrir colo e braços. Voltamos os dois para a fila, láááá no começo. Porém, ao entrar na Basílica, a visão da Pietá, fez com que tudo antes parecesse pequeno, coisa sem importância. Nessa hora experimentei o tal sublime de Kant*. Primorosamente teorizado, mas só entendido em sua inteireza quando experimentado a partir dos cinco sentidos. E era só o começo!
*“Denominamos sublime o que é absolutamente grande (...) acima de toda a comparação” (KANT, Immanuel. “Crítica da Faculdade de Juízo Estética”. In: Crítica da Faculdade do Juízo. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. p. 45–200.).
Foto1: Fila para o museu Vaticano.
Foto 2: Rafa e eu(toda serelepe com minha blusinha inapropriada!) na Praça de São Pedro.
A Bela Adormecida
Durante o mês de agosto Madrid pára! Os moradores deixam a cidade em direção ao litoral para aproveitar as tão esperadas férias de verão. Lojas, restaurantes, padarias, inúmeros locais fecham as portas e declaram férias coletivas. Se não fecham, adotam o horário de verão: abrem das 10h às 14h e das 17h às 21h! Domingo, nem pensar!
A cidade, então, passa a ser habitada pelos turistas e por aqueles que, infelizmente, não puderam escapar. Ficamos atrapados, envolvidos em uma atmosfera de repouso, como se hibernássemos em pelo verão. A cidade aguarda chegada do outono, quando tudo volta ao normal. Até as linhas do metrô, que agora estão fechadas para reforma (“Disculpen las molestias” para todo canto), reabrem em setembro para dar vazão a movida madrileña que calentará a cidade nos dias frios que estão por vir. Esperemos!
Foto: Cartaz sobre as reformas e ampliações no metrô: "Cuanto más te muevas, más historias tendrás." ¡Así es!
Futebol nosso de cada dia!

Vocês sabem o quanto o Rafa gosta de um futebol. A paixão dele não se limita a só assistir aos campeonatos pela televisão não, ele tem que JOGAR!!! Bom, pois ele tanto fez que conseguiu arrumar uma peladinha aqui em Madrid, lá no Parque del Retiro (o lugar que ele mais gosta na cidade!). Bem no meio do parque há uma academia super legal com salas de musculação e quadras para futebol, squash e tênis.
No mês de julho, passando por lá, o Rafa viu uma turma de arquitetos que precisava de alguém para completar o time. Bom, nem precisa dizer que o ele se ofereceu para ajudar :-)! Porém, a sua atuação foi tão boa que acabou lhe rendendo uma convocação para os próximos jogos. Eles seriam toda quinta-feira, às 14h30. Daí, já se vê a fome de bola do menino! PelamordiDeus! Com o calor que faz no verão, aproveitar a siesta para jogar bola, sob o risco de sofrer um golpe de calor, não dá! Mas não adianta argumentar. Lá foi ele jugar a la pelota!
Teve um dia em que o jogo foi à tardinha e aí resolvi ir para incentivar. Não sei se vocês já viram o Rafa jogar bola, mas é que quando ele joga, joga pra valer! Como se fosse a final do campeonato brasileiro. Soma-se a isso o fato de que, não sei por qual razão, quando ele está jogando, não consegue articular bem as palavras. Então, imagine só ele dando ordens ao time inteiro, mas sem pronunciar uma só palavra que fosse reconhecível!
Neste dia ele estava super inspirado e, como sempre, marcou um monte de gols. Ele jogou tão direitinho que no final da partida um dos seus companheiros teve que lhe dizer pra maneirar, porque, senão, não dava chance aos outros...
Agora, em agosto, está todo mundo de férias e o futebol foi cancelado. A nova temporada só recomeça em setembro e aí será quando nosso craque fará vários jogos amistosos para se despedir dos gramados madrileños.
Foto: Rafa y sus compañeros de fútbol
Euskadi*

No último fim de semana de julho, eu, Rafa e Nina visitamos o País Vasco (sim, com V mesmo). Lá se fala o castellano e o euskera. Este último, diferentemente do resto dos idiomas ibéricos, não tem origem latina e é considerado um das línguas mais antigas da Europa.
Fomos a duas cidades: a primeira foi Bilbao, capital da província de Vizcaya, centro industrial da Espanha. A outra, a cidade litorânea de San Sebastián, que fica na província de Guipúzcoa, já na fronteira com a França. Fomos de ônibus (5h de Madrid a Bilbao), numa viagem super tranqüila (boas estradas). Ao nos aproximarmos do norte da Espanha, a paisagem já começava a ficar bem mais verde e o calor mais brando, com lindas plantações de girassóis na beira da estrada.
Chegamos em Bilbao, deixamos as coisas no hotel e fomos conhecer a cidade. Nosso destino principal era o museu Guggenheim. O prédio impressiona tanto quanto (ou mais que) as obras de arte que abriga: intrigantes exemplares de arte moderna e contemporânea. Na data de nossa visita, havia uma exposição temporária sobre a arte russa. As obras expostas procediam de museus importantes da Rússia como o Museu Estatal de Arte Russa, a Galeria Estatal Tretiakov, e o Museu do Kremlin. As obras do período conhecido por Realismo Socialista, doutrina oficial de arte estabelecida em 1934, são impressionantes.
No dia seguinte, zarpamos para San Sebastián, balneário mais famoso da Espanha. O tempo estava uma maravilha! Passeamos pela parte velha da cidade, com suas ruazinhas cheias de restaurantes e bares de pintxos (em castelhano, tapas). Mas o que a gente queria mesmo era cair no mar. Ficamos na Playa de la Concha, limpíssima e cheia de jovencitas e señoras de topless. Elas não apenas se contentavam em ficar estiradas tomando sol, como também saiam para caminhar pela praia (para a alegria do Rafa hahaha).
O País Vasco é uma das jóias da Espanha e também seu calcanhar de Aquiles. A região luta há anos por seu reconhecimento como nação e essa briga deixou pesadas marcas na sociedade espanhola, através das ações terroristas do ETA. Durante a ditadura de Franco, o povo Vasco foi proibido de utilizar o idioma euskera e essa imposição do estado espanhol deixou no povo uma certa indisposição a tudo que remete a, ou simboliza a Espanha. Em Bilbao, o Rafa passeava com a camisa da seleção espanhola e, ao voltarmos para o hotel, passamos por um rapaz que não hesitou em demonstrar seu apreço pelos símbolos do estado espanhol, soltando um sonoro: ¡Véte a la mierda! Mas, apesar dessa névoa de tensão que encobre a região, o País Vasco é um local maravilhoso, parada obrigatória nos roteiros de viagem pela Europa. Uma região de cultura totalmente diferente de qualquer outra existente no Espanha. * País Vasco em euskera.